PMMA nos Glúteos: O Perigo da Bioplastia e Como Funciona a Cirurgia de Remoção
O culto ao corpo curvilíneo no Brasil, com foco histórico no volume das nádegas, criou o cenário perfeito para a tragédia da “Bioplastia Glútea”. Na promessa de um bumbum empinado e grande sem as cicatrizes da Lipoescultura (gordura própria) ou da prótese de silicone, milhares de mulheres e pessoas trans permitiram a injeção de litros de PMMA (ou silicone industrial) diretamente em seus glúteos. Hoje, anos após as aplicações, a conta dessa bomba de plástico está sendo cobrada na forma de dor, rejeição e deformidade.
O glúteo não é apenas uma área estética; ele é o músculo que sustenta o nosso peso quando caminhamos e sentamos, e é uma área atravessada por nervos calibrosos, como o nervo ciático. A inflamação gerada pelo plástico nessa região pode se tornar rapidamente incapacitante. Neste artigo, o Dr. Carlos Neves detalha por que o PMMA nos glúteos é tão devastador e como a cirurgia plástica reconstrutora atua para “limpar” os tecidos e devolver a sua paz.
💡 O que você vai descobrir neste artigo (Resumo Rápido)
- O peso da gravidade: por que o PMMA aplicado no bumbum migra para as coxas.
- O risco de paralisia e dor ciática devido aos nódulos de plástico.
- Como a cirurgia de ressecção aberta é realizada.
- A fase de reconstrução: lidando com a perda de volume após a remoção.
Índice do Artigo:
- 1. A Lei da Gravidade: A Migração do Produto
- 2. O Inimigo Silencioso: Compressão do Nervo Ciático
- 3. A Cirurgia: Ressecção em Bloco e Cicatrizes
- 4. Reconstruindo a Estética Após a Retirada
- 5. Dúvidas Frequentes (FAQ)
1. A Lei da Gravidade: A Migração do Produto
O primeiro grande problema do PMMA no bumbum é puramente físico: o volume injetado costuma ser enorme (frequentemente entre 300 ml a 800 ml de plástico de cada lado). Esse polímero é pesado. Diferente da gordura humana, ele não tem sustentação natural na pele. Com o passar dos anos e sob a ação contínua da gravidade e do ato de sentar diariamente, o gel endurecido “escorrega” através dos tecidos. O que era para ser um bumbum empinado transforma-se em “bolsas” quadradas, vermelhas e deformadas que descem em direção à parte posterior das coxas, inviabilizando o uso de calças justas ou biquínis.
2. O Inimigo Silencioso: Compressão do Nervo Ciático
Para criar a ilusão de um glúteo redondo, muitos “profissionais” do passado injetaram o PMMA de forma muito profunda, dentro do músculo glúteo máximo. Ocorre que, exatamente abaixo dessa musculatura, passa o gigantesco nervo ciático. Quando o corpo ataca o PMMA e forma os “granulomas de corpo estranho” (blocos de cicatriz dura como pedra ao redor do plástico), essas pedras podem comprimir o nervo.
O paciente começa a sentir “fisgadas” intensas no bumbum, dormência que desce pela perna e choques incapacitantes. Em graus avançados de inflamação e infecção bacteriana secundária (pois o plástico funciona como um ímã para bactérias), o paciente não consegue sentar na cadeira para trabalhar ou deitar de costas na cama, vivendo à base de fortes analgésicos e corticoides que prejudicam o restante da saúde.
3. A Cirurgia: Ressecção em Bloco e Cicatrizes
O tratamento definitivo não é estético, é médico-cirúrgico. Como abordamos em nosso Guia Geral de Remoção de PMMA, não há como aspirar o problema com uma cânula de lipo. Na Clínica Orvia, a paciente é levada ao centro cirúrgico com anestesia segura (geralmente raquidiana ou geral). O Dr. Carlos Neves realiza uma incisão, frequentemente escondida no sulco glúteo (a dobra inferior do bumbum), ou acima da linha do biquíni, dependendo da localização da inflamação.
O cirurgião “cava” cuidadosamente os tecidos para encontrar e extirpar (cortar) os blocos calcificados de PMMA, a pele necrosada e a musculatura irremediavelmente danificada, tomando o cuidado máximo para não lesar nervos e artérias fundamentais. É uma cirurgia de longo repouso e que exige drenos para escoar fluidos inflamatórios no pós-operatório.
4. Reconstruindo a Estética Após a Retirada
Esta é a conversa mais difícil e honesta no consultório: após tirar os blocos de PMMA inflamado, o seu bumbum perderá aquele volume proeminente e a pele poderá apresentar flacidez ou depressões profundas onde antes havia o produto. A prioridade imediata da cirurgia é salvar a sua vida, a sua pele e cessar a sua dor.
No entanto, você não ficará desamparada esteticamente. Assim que a cicatrização inicial for bem-sucedida e o tecido estiver livre de infecções ativas (o que leva de 6 a 12 meses), o Dr. Carlos Neves planejará a cirurgia reconstrutora. Poderemos usar o Lifting Glúteo (para retirar a pele que sobrou pendurada) e a enxertia de gordura do seu próprio abdômen e flancos para preencher as depressões de forma 100% natural, segura e definitiva, devolvendo não apenas a saúde, mas o contorno feminino desejado.
5. Dúvidas Frequentes sobre PMMA nos Glúteos
1. Eu consigo fazer musculação pesada tendo PMMA no bumbum?
É altamente desaconselhado. Treinos pesados (como agachamentos com peso extremo e Leg Press) geram forte compressão e contração violenta no músculo glúteo. Esse atrito esmaga as cápsulas de PMMA contra os nervos, o que pode “despertar” a reação inflamatória crônica adormecida, desencadeando dores súbitas e o crescimento acelerado de granulomas na região.
2. Qual a diferença entre o PMMA e o Hidrogel? Ambos inflamam?
Ambos são perigosos quando injetados em grandes volumes corporais e causam as mesmas reações sistêmicas (Síndrome de ASIA, inflamação, migração e infecção). A diferença técnica é que o Hidrogel (poliamida sintética) é teoricamente mais gelatinoso e não calcifica tão duro quanto o acrílico do PMMA. Contudo, a cirurgia de remoção de ambos obedece ao mesmo princípio de “raspagem” e ressecção em bloco aberto.
3. O PMMA aplicado no bumbum pode causar problemas nos rins?
Sim. Em quadros inflamatórios extremos, a doença sistêmica causada pelo corpo estranho provoca picos altíssimos de cálcio no sangue (hipercalcemia). Esse excesso de cálcio circulante sobrecarrega e calcifica os rins rapidamente, podendo levar a paciente saudável a um quadro gravíssimo de insuficiência renal crônica aguda, exigindo hemodiálise. Remover o PMMA ajuda a frear essa hipercalcemia letal.
4. Se a minha pele ficou roxa ou preta no local do PMMA, o que é?
Isso é uma urgência médica absoluta. O escurecimento da pele, frequentemente associado a um endurecimento extremo (pele dura como madeira) e dor latejante, indica isquemia tecidual grave (os vasos sanguíneos foram esmagados e o sangue parou de fluir) e iminente Necrose. A pele está literalmente morrendo por falta de oxigênio. Você deve buscar o seu cirurgião ou um pronto-socorro imediatamente.
5. Quais exames o médico pede antes de remover o PMMA dos glúteos?
Além dos exames de sangue cardiológicos e inflamatórios padrões, a Ressonância Magnética com Contraste da pelve e dos glúteos é inegociável. A ressonância funciona como o “GPS” do cirurgião. É ela que vai mostrar o quão profundo o produto está infiltrado, se ele já invadiu o plano muscular, se está perto do nervo ciático e se existem abcessos (bolsas de pus) silenciosos escondidos debaixo do plástico.
Você sobreviveu a uma má decisão no passado, não permita que ela defina o seu futuro. Agende sua consulta reparadora com o Dr. Carlos Neves na Clínica Orvia e dê o primeiro passo para a sua libertação física.
Revisão Médica e Autoria:
Dr. Carlos Fernando Vieira das Neves
Cirurgião Plástico – CRM-SP 73594 | RQE 55020
Membro SBCP





